Em defesa da verdade

O dever de adorar a Deus está baseado no fato de que Ele é o Criador. "Venham! Adoremos prostrados e ajoelhemos diante do Senhor, o nosso Criador" (Salmo 95:6). "Reconheçam que o Senhor é o nosso Deus. Ele nos fez e somos dEle" (Salmo 100:3).

Em Apocalipse 14, a humanidade é chamada a adorar o Criador e a guardar os Seus mandamentos. Um desses mandamentos apresenta Deus como o Criador: "O sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus [...], porque, em seis dias fez o Senhor os céus e a Terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou" (Êxodo 20:10, 11, ARA). O sábado, diz o Senhor, é "um sinal entre nós. Então vocês saberão que Eu sou o Senhor, o seu Deus" (Ezequiel 20:20).

Se o sábado tivesse sido guardado por todos, o ser humano sempre teria sido dirigido a adorar o Criador. Jamais teria existido idólatra, ateu ou cético. A guarda do sábado é um sinal de lealdade para com Aquele que "fez os céus, a Terra, o mar e tudo o que neles há". A mensagem que ordena os seres humanos a adorar a Deus e guardar os Seus mandamentos nos chama especialmente a que observemos o quarto mandamento, que trata do sábado (veja Apocalipse 14:7, 12).

Isaías assim predisse a obra de restauração do sábado, que seria realizada nos últimos dias: "Mantenham a justiça e pratiquem o que é direito, pois a Minha salvação está perto, e logo será revelada a Minha retidão. Feliz aquele que age assim, o homem que nisso permanece firme, observando o sábado para não profaná-lo, e vigiando sua mão para não cometer nenhum mal. [...] Os estrangeiros que se unirem ao Senhor para servi-Lo, para amarem o nome do Senhor e prestar-Lhe culto, todos os que guardarem o sábado deixando de profaná-lo, e que se apegarem à Minha aliança, esses Eu trarei ao Meu santo monte e lhes darei alegria em Minha casa de oração [...]; pois a Minha casa será chamada casa de oração para todos os povos" (Isaías 56:1, 2, 6, 7).

Essas palavras se aplicam à era cristã, como é visto pelo contexto (verso 8). Aqui está prefigurada a reunião dos não judeus pelo evangelho, quando os servos de Deus pregassem a todas as nações a mensagem das boas-novas.

O Senhor ordena: "Guarde o mandamento com cuidado e sele a lei entre os Meus discípulos" (Isaías 8:16). O selo da lei de Deus é encontrado no quarto mandamento. Somente este, entre todos os dez, apresenta tanto o nome quanto o título do Legislador. Quando o sábado foi mudado para o domingo, o selo foi retirado da lei. Os seguidores de Jesus são chamados a restabelecê-lo, exaltando o sábado como o memorial do Criador e sinal de Sua autoridade.

Muitos cristãos argumentam que a ressurreição de Cristo tornou o domingo o dia de descanso. Mas Cristo e os apóstolos nunca atribuíram nenhuma honra a esse dia. Que razão pode ser dada para uma mudança que não está baseada na Bíblia?

Os evangélicos reconhecem "que o Novo Testamento não apresenta um mandamento explícito para o domingo ou regras definidas para a sua observância" (George Elliott, The Abiding Sabbath, p. 184). Eles dizem: "Até o tempo da morte de Cristo, nenhuma mudança havia sido feita no dia. [...] E, pelo que se observa no relato bíblico, os apóstolos não deram nenhum mandamento explícito ordenando o abandono do sábado e a observância do primeiro dia da semana" (A. E. Waffle, The Lord's Day, p. 186-188).

Os católicos reconhecem que a mudança do sábado foi feita pela igreja e declaram que os protestantes, ao guardarem o domingo, estão reconhecendo seu poder. Um autor faz esta declaração: "Enquanto durou a antiga lei, o sábado era o dia santificado. Mas a igreja, instruída por Jesus Cristo e dirigida pelo Espírito de Deus, substituiu o sábado pelo domingo. Assim, santificamos agora o primeiro dia, e não o sétimo. A palavra 'domingo' quer dizer, e agora é, o dia do Senhor" (Catholic Catechism of Christian Religion).

É dada a ordem: "Grite alto, não se contenha! Levante a voz como trombeta. Anuncie ao Meu povo a rebelião dele, e à comunidade de Jacó, os seus pecados" (Isaías 58:1). Aqueles que o Senhor designa como "Meu povo" devem ser reprovados por sua transgressão – e esse é um grupo de pessoas que imagina estar fazendo corretamente o serviço de Deus. Mas a repreensão solene do Senhor, que conhece os corações, prova que eles estão desprezando os mandamentos divinos.

O profeta apresenta nestas palavras a ordenança que tem estado esquecida: "Seu povo reconstruirá as velhas ruínas e restaurará os alicerces antigos; você será chamado reparador de muros, restaurador de ruas e moradias. Se você vigiar seus pés para não profanar o sábado e para não fazer o que bem quiser em Meu santo dia; se você chamar delícia o sábado e honroso o santo dia do Senhor, e se honrá-lo, deixando de seguir seu próprio caminho, de fazer o que bem quiser e de falar futilidades, então você terá no Senhor a sua alegria" (Isaías 58:12-14). A lei de Deus foi feita em "ruínas" quando o sábado foi modificado. Chegou, porém, o tempo para que a ruína seja reparada.

O sábado foi guardado por Adão em sua pureza no Éden (veja Gênesis 2:2, 3); por Adão, depois de caído, mas arrependido, quando expulso de sua habitação. Foi guardado por todos os patriarcas, desde Abel até Noé, até Abraão e Jacó. Quando o Senhor libertou Israel, proclamou Sua lei à multidão.

Desde aquele tempo até o presente, o sábado tem sido guardado. Embora o inimigo tenha sido bem-sucedido em pisotear o santo dia de Deus, pessoas fiéis, em lugares ocultos, preservaram sua honra.

Quando as exigências do sábado foram apresentadas, muitos disseram: "Sempre guardamos o domingo, nossos pais o observaram, e muitas pessoas boas morreram felizes enquanto o guardavam. Guardar um novo dia nos poria em desacordo com o restante das pessoas. O que pode um pequeno grupo, guardando o sábado, esperar fazer contra todo o mundo que guarda o domingo?" Foi com argumentos semelhantes que judeus justificaram sua rejeição a Cristo. Foi assim, na época de Lutero, quando os líderes religiosos raciocinavam que os cristãos verdadeiros tinham morrido na fé católica; portanto, essa religião era suficiente. Esse raciocínio demonstraria ser uma barreira contra todo progresso na fé.

Muitos insistiam que a guarda do domingo tinha sido um costume amplamente difundido dos cristãos, e isso durante séculos. Contra esse argumento foi mostrado que o sábado e sua observância eram ainda mais antigos – na verdade tão antigos quanto o próprio mundo – e estabelecidos pelo Deus eterno.

Na ausência de prova bíblica, muitos insistiam: "Por que nossos grandes líderes não compreendem a questão do sábado? Poucos creem como vocês. Não pode ser que vocês estejam certos, e que todos os sábios estejam em erro."

Para refutar esses argumentos, bastava citar a Bíblia e a maneira como o Senhor tem lidado com Seu povo através dos tempos. A razão pela qual Ele frequentemente não escolhe pessoas cultas ou de posição elevada para dirigir os movimentos de reforma espiritual é que essas confiam em seus credos e sistemas teológicos, não sentindo que necessitam ser ensinadas por Deus. Pessoas que têm pouca instrução formal são muitas vezes chamadas para anunciar a verdade não porque sejam incultas, mas porque não são demasiado autossuficientes para ser ensinadas por Deus. Sua humildade e obediência as torna grandes. [...]

Não era vontade de Deus que os israelitas vagueassem durante quarenta anos no deserto. Ele desejava levá-los diretamente a Canaã e lá estabelecê-los como um povo santo e feliz. Mas eles "por causa da incredulidade não puderam entrar" (Hebreus 3:19). De maneira semelhante, não era vontade de Deus que a volta de Cristo demorasse tanto e que Seu povo permanecesse tantos anos neste mundo de pecado e tristeza. A descrença o separou de Deus. Usando de misericórdia com o mundo, Jesus atrasa a Sua vinda, de modo que pecadores possam ouvir a advertência e encontrar nEle refúgio antes que venha o fim.

Hoje, como nos tempos anteriores, a apresentação da verdade desperta oposição. Muitos, com maldade, atacam o caráter e intenções daqueles que permanecem em defesa da verdade impopular. Elias foi acusado de ser o perturbador de Israel; Jeremias, de traidor; Paulo, de profanador do templo. Desde aquela época até hoje, os que desejam ser leais à verdade têm sido acusados de insubordinados, hereges ou facciosos.

Aqueles exemplos de santidade e inabalável integridade despertam coragem nos que hoje são chamados a levantar-se como testemunhas de Deus. Aos servos de Deus, no presente, é dirigida esta ordem: "Grite alto, não se contenha! Levante a voz como trombeta. Anuncie ao Meu povo a rebelião dele, e à comunidade de Jacó, os seus pecados" (Isaías 58:1). "Filho do homem, Eu fiz de você uma sentinela para a nação de Israel; por isso, ouça a Minha palavra e advirta-os em Meu nome" (Ezequiel 33:7).

O grande obstáculo para que a verdade seja aceita é o fato de que isso resulta em incômodo e vergonha. Esse é o único argumento contra a verdade que os seus defensores jamais puderam rebater. Mas os genuínos seguidores de Cristo não esperam que a verdade se torne popular. Aceitam a cruz, tendo em mente o que afirma Paulo: "Os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles" (2 Coríntios 4:17). Lembram- se também de Moisés, que, "por amor de Cristo, considerou sua desonra uma riqueza maior do que os tesouros do Egito, porque contemplava a sua recompensa" (Hebreus 11:26).

Devemos escolher o correto porque é correto, e deixar com Deus as consequências. O mundo deve as grandes transformações a pessoas de princípios, fé e ousadia. Por meio dessas pessoas será realizada a obra de restauração da verdade para este tempo.

A Grande Esperança
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